Crónica de uma atrocidade anunciada, em tom de desilusão

Imagine o caro leitor, ou leitora, que na terra onde vive existe um enorme quintal de uma antiga fábrica há muito abandonada, que se situa na malha urbana da própria cidade. (*)
Imagine que nesse espaço existem duas árvores de grande porte. Árvores centenárias, a julgar pela largura do seu tronco. E que são, ao que se sabe, as maiores do concelho. Uma delas são precisas quatro pessoas para a abraçar e a outra três pessoas. Cada uma com uma altura de muitos, muitos metros, não se sabe bem quantos. Talvez uns vinte. Adiante.
Imagine agora que foi decidido aproveitar todo aquele espaço para construir vários blocos de apartamentos, actualmente já habitados. E entre as duas enormes árvores construiu-se um pequeno espaço de brincadeiras para crianças, com um escorrega e dois brinquedos com molas pre

Imagine ainda que num belo dia, ambas as árvores aparecem decepadas como as fotos demonstram. Uma autêntica "limpeza". Costuma haver sempre uma “boa desculpa” para estas atrocidades. Desta vez, como não podia deixar de ser, há também algumas razões invocadas: que as folhas das árvores entupiam os algerozes e, pior ainda, segundo dizem, em dias de vento as crianças não podiam ir brincar no parque porque caiam pequenos troncos das árvores. Bem, sobre estas razões apresentadas não vale a pena falar. São óbvias.

Nesta fase, já não valerá a pena estar a imaginar mais coisa nenhuma, nem sequer enfurecer-se com estas barbaridades avulsas, porque não ganha nada com isso. Estava à espera de quê? Que houvesse bom senso por parte de quem decidiu colocar um parque infantil mesmo por debaixo daquelas árvores centenárias, mesmo sabendo que elas não iriam alterar o seu comportamento normal? Ou de quem construiu quase em cima das mesmas árvores, esquecendo-se (será este o termo c

Ora se o leitor estava à espera de outras atitudes de maior bom senso por parte dos responsáveis por esta horrível atitude, estava certamente a pedir demais! Agora um pequeno desafio, aliás, não é bem um desafio, é mais um jogo de adivinha: onde é que pensa que tudo isto aconteceu? Humm ... difícil, muito difícil, não é?
(*) este assunto foi tratado pela primeira vez no blogue "GeraçãoVN", do amigo Marketeer.
2 Comments:
Não consigo identificar o local, mas gostava de saber qual é o autarca que demonstra tanta insensibilidade.
Esses "vândalos" não sabem quanto tempo demora uma árvore a crescer e abatem-na em segundos...
É o problema das cidades...
Desaparece tudo o que é vegetação...
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